Darwin's Cafe, Lisboa: uma selecção pouco natural


Na recente grande peça de audácia arquitectónica magestaticamente implantada onde até agora parecia não ser possível edificar, nasceu este café de Darwin, restaurante de apoio/âncora da Fundação Champalimaud. Meritória fundação, repositório de parte da fortuna deixada pelo grande industrial, com uma grande equipa empenhada em alcançar rapidamente os propósitos pretendidos: investigação de ponta, estimulando "descobertas que beneficiem as pessoas" e o patrocínio de "novos padrões de conhecimento".


Espaço de decoração e dimensões simpáticas, afectado pelo descomunal pé-direito, um tudo nada desconfortável (desconforto agravado pelo ecológico pensamento sobre a energia dispendida para o seu condicionamento térmico). Área de restauração estendida até ao exterior, uma esplanada sobranceira ao rio, com vista para os ícones habituais, os pescadores, a zona industrial da margem sul e tudo o mais que faz desta cidade a mais atlântica da Europa.


Carta insípida, com escolhas quase totalmente banais, sem correspondência nos poucos banais preços e muito longe da apregoada "cozinha internacional de autor" (o que é, desde logo, uma contradição em termos).



Carta de vinhos curta, com a saudável opção a copo (alguns).

Serviço fraco, com desatenções, esquecimentos e lentidão inaceitáveis neste standard.

Muito pouco, muito pouco...

À saída, repara-se nesta frase,


e sai-se com uma dúvida perturbante: faltará inteligência aos responsáveis por tão poucas possibilidades de sobrevivência ou será a mim que ela falta por não perceber que esta tão fraca oferta está cheia de possibilidades de sucesso numa cidade com cartões de empresa a mais e exigência a menos?

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