Localvorismo e consciência nacional

Eis um palavrão relativamente recente (recentíssimo para mim que só dei com ele há bocado): localvorismo (ou locavorismo) é um movimento que defende o uso exclusivo de produtos locais (num raio de, aproximadamente 250 quilómetros) na alimentação com o argumento de que, para além destes serem mais nutritivos e de melhor gosto, ser este um processo de preservação e defesa do meio ambiente. Maior diversidade na actividade local, menor pegada ecológica, preservação de tradições e recuperação de modos de vida apurados ao longo de gerações muito mais em sintonia com a envolvente natural.


Por mais simpático que apareça ao nosso desejo comer tomates em Janeiro ou uma salada de frutas tropicais acabadas de desembarcar no aeroporto da Portela, permanece a questão: vale o trabalho, esforço e custo?

Se, em países de consumo ultra-massificado, de produtos de origem anónima e gosto indiferenciado a discussão ganhou peso, num momento como o presente de profunda crise a mesma faz todo o sentido em Portugal. Consumir produtos locais é não só uma vantagem gustativa e salutar, não só uma opção ecológica, mas e principalmente um acto solidário e de auto-preservação social.

Consumir local não é dar de trabalho a 1 milhão de portugueses mas é contribuir para a sustentabilidade económica do país. Já que não temos salários para competir com os países asiáticos, não temos tecnologia de ponta para competir com a indústria alemã, não temos massa crítica para sustentar empresas que nos forneçam, pelo menos que, no capítulo da alimentação, sejamos auto-sustentáveis.

[Por onde começar? Por exemplo por aqui]


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