Lisboa é fish!


Há certezas que nos fazem bem. A Primavera que começa em Março. As obras públicas que começam estar prontas em ano de eleições.

O Peixe em Lisboa, que é a prenda que Abril nos traz.

A edição de 2017 - a décima - está repleta de propostas tentadoras, a primeira das quais a estreia do renovado Pavilhão Carlos Lopes como anfitrião. Espaço de um regime que à maioria dos mais novos diz tanto quanto a embaixada que o senhor D. Manuel I enviou ao Papa, este espaço, arquitectado em Português Piedoso (uma categoria arquitectónica que acabei de criar, como antítese do Português Suave, remanescente do Português Sem Mestre, com inúmeras referências visuais e decorativas da arquitectura religioso-piedosa que substituiu, no século XIX as igrejas destruídas pelo sismo de 1755), sofreu júbilos e tristezas, tratos de fidalguia e de polé, exaltações e silêncios, tendo corrido o risco de se ver camartelado como solução para o abandono de décadas e a decadência burocrática sem manutenção de que foi palco durante tempo demais.

O "Pavilhão dos Desportos" em 1942, numa envolve3nte ainda incipiente, com os edifícios da avenida Sidónio Pais em fundo. Lá muito ao longe, do lado direito, o reservatório de água da Penha de França ainda visível, numa Lisboa sem arranha-céus...
(Fonte: Arquivo municipal de Lisboa)
(Eu sei, são palavras a mais para falar de um ex-mono excelentíssimo quando a estrela é o peixe de Lisboa, perdão, o Peixe em Lisboa...)

(Desculpem lá qualquer coisinha.)

Ora bem. Este Abril, o Pavilhão, formely-known-as-dos-Desportos, será palco do desporto nacional mais arreigado no país (não, mais que a bola; não, mais que a maledicência; siiiiiim, adivinharam finalmente, o de dar ao dente): entre o dia 30 (de Março) e o dia 9, bancas de restauração e de produtos ligados à gastronomia e bebidas, showcookings e debates, demonstrações e degustações estarão à disposição dos visitantes, numa edição que se pretende renovada, a par do novo espaço e da equipa responsável pela produção, vencedora do concurso público realizado no final do ano passado (obrigado à Essência do Vinho pelos bons momentos das anteriores edições, bem-vindas Dot Global e Lufthansa Ground Service Portugal)

Quanto ao que mais interessa aos próximos frequentadores:

1. Espaços de restauração e bebidas

Dez espaços de restauração serão os principais responsáveis pela satisfação gastronómica do público presente, um momento sempre bem vindo de pausa e convívio, durante todas as horas de abertura, entre o meio-dia e a meia-noite.

Para além do sempre presente (é o único totalista!) Ribamar de Sesimbra, os retornos da Taberna da Rua das Flores, do Chapitô à Mesa, do Kiko Martins (TalhoCevicheriaO Asiático), do Arola do Penha Longa (1*) e as estreias - com muita expectativa - do Boi Cavalo (um dos mais interessantes tasconómicos da cidade), do Alma (1*), do Rabo d'Pêxe (o regresso de Paulo Morais que se saúda), do Ibo (a cozinha luso-moçambicana) e do Ritz Four Seasons Hotel Lisboa (o rigor e a elegância da cozinha francesa pela mão criativa de Pascal Meynard).

Atenção à banca dos Vinhos de Lisboa que promete surpresas interessantes aos mais distraídos destas andanças, bem como à sempre presente e muito bem-vinda banca da Água das Pedras.

2. Chefes presentes

Três convidados internacionais e alguns dos mais reconhecidos cozinheiros portugueses:
  • Rodrigo Castelo ; Sergi Arola e Milton Anes (1 de Abril, 15:30 e 18:00, respectivamente)
  • Pedro Pena Bastos ; Justa Nobre, Vítor Sobral e Mário Rolando - Polvo, Carapau e Cavala: três espécies a consumir, três receitas a aprender, três pratos a provar (2 de Abril, 15:30 e 18:00, respectivamente)
  • Ricard Camarena (3 de Abril, 19:00)
  • Estrelas do Norte: Ricardo Costa, Rui Paula e Vítor Matos (4 de Abril, 19:00)
  • Miguel Laffan (5 de Abril, 19:00)
  • Felipe Schaedler (6 de Abril, 19:00) (ver entrevista à Veja, em 2012)
  • Lisboa, Capital Ibero-Americana da Cultura. A Cozinha Ibero-Americana nas mesas de Lisboa. Anfitrião: Kiko Martins ; Alyn Williams (7 de Abril, 15:00 e 19:00, respectivamente)
  • Patrícia Borges: “Conservas, algas e aquacultura: uma ementa com futuro”, com comentário de Isabel Sousa Pinto, investigadora do CIIMAR - Interdisciplinary Centre of Marine and Environmental Research e por especialistas da Docapesca e da Associação Portuguesa de Aquacultores ; João Rodrigues e Alexandre Silva: “Carapau Seco – Da conserva tradicional ao prato gourmet” (receitas com carapau seco da Nazaré) (8 de Abril, 15:00 e 19:00, respectivamente)
  • José Avillez (9 de Abril, 15:00)

3. Concursos

Para além do já habitual, muito esperado (tanto pelos apreciadores como pelos candidatos a vencedores como ainda e principalmente pela mole crescente de ávidos enfardadores de pasteis disponibilizados no grandioso "boca livre" que acompanha o anúncio do vencedor) concurso do Melhor Pastel de Nata  (dia 5 às 15:00) e do repetente ADN Pasteleiro (dia 31), finalmente teremos este anos a estreia de uma competição dedicada não só a um produto executado... com peixe, como a uma das mais emblemáticas e lisboetas confecções culinárias - a PATANISCA!

Coordenado pela proficiência e eficiência de Virgílio Gomes, terá a presença de 10 restaurantes da capital, convidados pela qualidade e autenticidade da receita empregue (de referir que há uma linha que separa as ortodoxamente achatadas das  fofinhas, lindonas e igualmente habituais em muitas casas particulares, decretando os eruditos que as primeiras são as mais tradicionais da cidade) sendo distinguidos os três melhores pontuados de acordo com a análise de critérios como o “Aspecto”, o “Crocante da massa”, o “Sabor e consistência do interior”, a “Ausência de gorduras” e o “Sabor global” numa escala de 0 a 10.

4. Provas, seminários e debates

"Peixe com Ciência"
Para além dos showcookings subordinados a um tema mais específico e atrás citados, de referir o debate coordenado pela Ciência Viva a ter lugar no dia 4, às 15:00, onde investigadores, empresários e público conversarão sobre modos de aumentar o consumo doméstico de produtos do mar de forma sustentável, sem pôr em risco a biodiversidade do oceano. À volta da mesa, para além das palavras que correrão soltas, haverá iguarias várias, cozinhadas com produtos marinhos sustentáveis e acompanhadas com um gin de algas.


5. Preços e formas de pagamento

Este ano não haverá aumento de preço (crianças até aos 12 anos: gratuito ; entrada de 1 dia: 15 euros; entrada grupos (5 pessoas, 1 dia) : 60 euros), com cada bilhete a incluir um crédito de 6 euros a ser descontado no consumo efectuado nos vários balcões de degustação. Durante os dias de semana, este crédito será duplicado (12€) nas entradas efectuadas entre as 12 e as 15 horas. Na 2ª feira, dia 3, considerado "dia económico" esse bónus estará disponível durante todo o dia.

Novidade será o método de pagamento, mais eficaz e simplificado: em vez das senhas distribuídas com os bilhetes ou compradas durante o evento e trocadas nos balcões, será disponibilizado um cartão de consumo (com o pré-carregamento atrás referido), onde será inscrito por cada restaurante o valor devido o qual será pago somente à saída.

6. E ainda...

Um (bom) sinal dos tempos, é a disponibilização da app do Peixe em Lisboa 2017. Disponível para iOS e Android, disponibiliza informação sobre todos os detalhes do evento, perfis dos restaurantes e chefes, assim como uma agenda personalizável.  Pode ser ligada ao Facebook, permitindo o cruzamento de presenças com amigos e localização dos mesmos no espaço do evento. Eu sei, pode ser comprometedor... mas cheio de possibilidades interessantes, também.

Marquem na agenda e divirtam-se!

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