Onde param os bons fornecedores?

Temos, nas grandes cidades, provavelmente a maior área de hipermercados por habitante da União Europeia. Adicionalmente, não há terra nem terrinha que não seja servida por pelo menos um Lidl, um Modelo, um Minipreço, um Intermarché.

Segundo os arautos do mercado livre, tanta variedade é boa, gera concorrência e a concorrência, ao criar diversidade, é benéfica para o consumidor.

Balelas.

A quem tenha um mínimo de cultura dos alimentos, bastar-lhe-à uma breve visita a cada uma dessas catedrais para perceber que, a coberto dos supostos "preços baixos" (e está por divulgar o quão baixos esses preços serão face ao salário mínimo quando comparados com os restantes países da UE...), se vendem legumes de 3ª categoria de conservação e se oferecem limitadíssimas opções tanto em  tipo quanto em variedade. Tomates verdes ou engelhados de velhice, alfaces meladas de tanto banho (oh e agora a moda das saladas pré-lavadas, tão húmidas que no 2º dia de frigorífico e a alguns do prazo de validade já estão imprestáveis!), batatas ensacadas com pelo menos uma podre, cebolas rijas como cornos... A fruta, já sabemos, sofre do ímpeto regulador europeu e, apesar de calibrada, não sabe a nada, não cheira a nada. Já o peixe fresco...

Chegamos a esta incongruência fantástica em que os locais onde se encontram com maior probabilidade os produtos e um atendimento de qualidade são os que estão em vias de extinção, atabafados por outros que servem pior, promovem pior, fornecem pior. Porquê? Porque o consumidor lhes prefere os preços, o estacionamento e o neón. 

Donde se pode concluir que é esta fraca gente que faz fraco o forte fornecedor...

(Nota: Comecei este post com a intenção de escrever sobre a impossibilidade de encontrar em Lisboa os óleos que mencionei aqui. Nem no Club del Gourmet... E se parassem de empregar gestores de produto formados na Católica e os fossem buscar aqui, aqui ou aqui?)

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