Risotto (III): morcela

E a história começa após uma elipse: foi feito o refogado com cebola e azeite, um pouco de água para baixar a temperatura de fritura e evitar uma tomada de côr muito rápida que deixaria o interior cru, foi colocado o arroz carnaroli e deixou-se tomar o sabor dos sucos da fritura.



Vai-se então buscar a garrafa esquecida de Floc de Gascogne para variar um pouco do Porto ou do Madeira que, conforme a ocasião, o gosto, os ingredientes, o humor, se costuma usar e, desprendidamente inicia-se a operação que os italianos denominam sfumare, isto é, acrescentar um líquido alcoólico à preparação muito quente, de modo a que o mesmo se evapore rapidamente, impregnando o arroz com o seu aroma (uf! grande parágrafo para traduzir uma única palavra, será que não há equivalente em português?).

Acrescenta-se então a morcela de sangue


e, para cortar tão impressionante ataque aos nossos bem comportados orgãos internos, a casca de uma laranja em farripas


e umas quantas uvas pretas


depois, é o habitual, mexe-se e acrescenta-se o caldo de carne aos poucos, mexe-se mais, suave, gentil, amorosamente, e voilá!


esta delícia impagável, coroada com uma leve povoalha de parmigiano ralado.

Pesado, sim, mas tão booom!

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