As trufas do ano

Aspirante a gastrónomo que se preze tem, na sua bagagem cultural, no que a trufas respeita, a informação  que existem três espécies a colocar no "must try" da lista de coisas a realizar antes que o regime mude: as negras do Périgord, as brancas do Piemonte e... as túberas do Alentejo.

Sim, eu sei, sobrolho levantado dos puristas estrangeirados, sobrancelhas ao alto em simetria dos menos viajados a interrogarem-se sobre a possibilidade de um produto nacional poder ombrear com tamanhos gigantes. Acreditem - é comparável, digo-o eu que sou absolutamente parcial.

E é um motivo de orgulho pensar que as nossas meninas poderão um dia - se a isso chegar o engenho e a arte vendedora de AICEPs e demais eficazes agências promocionais que os nossos governantes vão inventando porque há sempre que mudar qualquer coisa - ombrear com as campeãs, como o recente par de trufas brancas da Toscânia conseguiu, ao ser vendido por cerca de 250.000 euros. 

Sim, está bem escrito, foram mesmo duzentos e cinquenta mil euros por pouco mais de dois quilos.

Eu sei que foi num leilão de caridade e que, nestas coisas, é giro seguir como o John Lennon indicava e abanar as joias (considerando o duplo sentido de jewels em inglês, fico na dúvida sobre as intenções originais do Beatle, mas enfim...). Fica bem na fotografia, mesmo provindo as trufas da Toscânia (provavelmente, acabarão ou numa vitrina para turista ver, com etiqueta a tiracolo ou num jantar de caridade a preços equivalentes em que o mais importante não será o menu).

Mas é uma esperança. Principalmente porque o benéfico comprador foi esse grande português chamado... Stanley Ho. 

Ho-ho-ho que vem aí o Natal!

Nota: a história mais completa aqui.

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