Restaurante Rota das Sedas, Lisboa

Não vou escrever uma apreciação definitiva. Declaro-me influenciado pelo que escreveu o tenente-coronel Newnham-Davis (não é fantástico este pendor vitoriano por nomes compostos?) crítico do início do século finado (daqui a poucos anos, usar esta expressão colocar-me-à definitivamente na prateleira do passado), autor do guia da Europa gourmet a que me referi há uns dias: não é justo para um restaurante - dizia ele - condená-lo após uma primeira visita nem justo para si própio fazer uma segunda...

Humor inglês à parte, há restaurantes que me deixam assim - a pensar que a menos boa impressão poderá ser fruto não só de uma preparação ocasionalmente menos conseguida mas de um factor pessoal temporário e, portanto, a necessitar de uma segunda confirmação. O problema desta ocorrer é que, enquanto a primeira impressão dura, me é difícil encontrar a disponibilidade para lá voltar. O que fazer então com as palavras e as imagens, com a experiência tida, com a vontade de comunicar o acontecido, experimentado e vivido?

Volto assim ao começo: esta não é uma apreciação definitiva. Mas é um registo.

Dia de semana, restaurante pouco cheio de início, indo-se compondo com o avançar da noite, no que me parece uma crescente tendência de "espanholização" dos hábitos de cearização do jantar. Primeiro andar do edifício do complexo da antiga fábrica das sedas na rua da Escola Politécnica, espaço interessante que aparenta ser reaproveitamento de antiga habitação, bem remodelado, decoração interessante, eye-catching (if you pardon my french).



Serviço correcto.

Lista com algumas propostas tentadoras. Carta de vinhos curta e com preços exagerados.

Couvert poucochinho, pão a começar a ficar fora de tempo.

Pratos visualmente bem conseguidos, bem pensados. Resultado nem por isso, decepcionante mesmo face à expectativa criada pela boa impressão visual.

Entrada: Fígados de aves com fatias de pera
Os fígados, mi-cuit (para usar uma expressão próxima), de menos para o meu gosto, tornando-se penosos.
A pera ajudou a cortar o sabor excessivo mas foi insuficiente.

Polvo em três texturas, sonhos, grelhado e tártaro com migas de couve e feijão
As migas demasiado moles, pouco texturadas, o grelhado duro, o sonho - um sonho! - o tártaro desenxaibido.
Uma apresentação bonita que não apagou o desgosto da degustação (apesar do sonho)

Magret de pato sobre puré de batata doce, pack-choi e romã
O pato esteve bem, o puré um pouco indefinido.

Apesar de termos declinado as sobremesas, veio como tira-gosto para o café,
esta mimosice de mini-pasteis de nata e gomos de morango.
Nota alta para o cuidado da apresentação


Tenho pena. Gostava de me ter sentido bem.

Sem nota, pelo escrito acima. Preço: >20€ ; <40€

Rota das Sedas Restaurante
Chef António Amorim (com uma mãozinha de Teresa Arriaga nas sobremesas)
Rua da Escola Politécnica, 231
1250-101 LISBOA

(+351) 213 874 472
(+351) 964 376 322

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