Um Spazio Nobre

De segredo bem guardado ao milagre da multiplicação da visibilidade. Dos problemas de um crescimento demasiado rápido para ser consolidado aos sucessivos encerramentos e quase obscuridade. Do retiro no Montijo ao retorno forte à capital. Três períodos para resumir a vida restaurativa do casal Nobre nos últimos vinte anos.

Não haverá tantos restaurantes em Lisboa cujo chef valha mais, para os clientes, do que o seu nome. Quantos frequentadores haverá que digam "Vamos ao Spazio Buondi" em vez de "Vamos ao restaurante da Justa Nobre"? Haverá maior cumprimento?

No caso, ficaram patrocionador e executante, pelas razões óbvias (maior exposição mediática, melhor rectaguarda financeira), a ganhar. Em futebolês, uma espécie de "Emirates Stadium"...

E no que interessa?



Espaço de uma antiga cafetaria, cuidado e repensado para as novas funções restaurativas, um pouco frio para o meu gosto, cadeiras - ainda que AlvarAltianas - a tender para o desconfortável. Toalhas e guardanapos de pano, copos loiça e talheres adequados, sem características para entusiasmo ou desilusão.

Serviço competente, sem eu ter percebido se a multiplicidade de rostos que nos foram atendendo é fruto de opção ou anarquia na atribuição de espaços por atendente.

A comida... Ah, a comida tem nota alta, claro.

Lombo de cherne com migas e juliana de legumes, bechamel com pimenta vermelha

Bochechas de porco com migas de feijão frade e couve migada e castanhas

Pudim do abade

Mini pasteis de nata, cortesia do restaurante
Carta de vinhos extensa, com margens obscenas.

Quanto aos preços: considerando a totalidade da experiência, exagerados. Por toda a refeição (duas doses de sugestões do dia, uma sobremesa, 3 cafés, couvert, vinho) pagaram-se 84 euros. Na esmagadora maioria das grandes refeições já aqui relatadas e que deixaram bem mais memória que esta não se pagou mais.

Spazio Buondi
Av. Sacadura Cabral, 53
Tel. 217 970 760
3ª a Domigo: 12:00 às 24:00
Excepto Sábado: 19:30 às 24:00

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