Jiro dreams

Tantas coisas que me pensam nestes três minutos e trinta e cinco, amostra de um percurso em busca da inatingível perfeição.



Fecho os olhos embalado pelo Mozart escolhido* e imagino estas peças como um momento de arte, completamente desligadas da função. São belas no seu despojamento, reduzidas ao essencial, a um essencial que me escapa mas percepciono.

São também sentido, prazer e a antecipação desse prazer - que não sentirei, porque para mim espectador são apenas representações planas da realidade filmada.

Cada um daqueles pedaços, rigorosamente pensados, trabalhados na imensidão de repetições, de anos, na solidão do seu preparador. O que passará pelo seu espírito quando os realiza? Ouvirá, pensando, melodias que lhe aparecerão tão encantatoriamente perfeitas como este Mozart a nós?

Menciona-se a filosofia de Jiro e a mim parece-me que se trata antes de uma religião - surpreende-me ver conversas e risos e o semblante descontraído de alguns dos clientes. Pureza e silêncio e um ar rarefeito, frio e seco a envolver comensal e comida.

E depois uma explosão, o silencioso grito interior de um imenso prazer quando todos os centros nervosos do gosto são estimulados pela perfeição.

(* Concerto para piano n. 21, II andamento - Andante)

Clip retirado do documentário Jiro Dreams of Sushi de David Gelb. Jiro, é o chef Jiro Ono proprietário do restaurante três estrelas Sukiyabashi Jiro. Sushi-bar, 10 lugares, metro de Tóquio.

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