Canitos

Terra de desertos crismados por um camelo, o Alentejo é aquele lugar no coração que nos fica em Portugal.

Habitat de gostos fortes. De temperos próprios e combinações simples que nunca serão simplistas.

Se a Karen Blixen tivesse vindo para Campo Maior ao invés do Quénia nunca teria escrito, por falta de maior emoção, I once had a farm in Alentejo, antes gerando para a posteridade um pantagruélico I always had a tremendous time at table in Alentejo. Engordaria e seria opiparamente feliz com o seu barão, caçaria beldroegas e poejos ao invés de leões, sem tempo para bocejos ou aviadores, fascinantes que eles fossem.

Grande Alentejo.

Tome-se Grândola como exemplo. Fossem capitalistas os ventos dessa temporada-no-lado-de-lá que o país viveu em 74/75 e a cidade seria hoje um Dubai graças aos direito de autor pelo uso do seu nome na canção mais tocada de então. Valeu a solidariedade para que tudo continuasse pachorrento e contemplativo; o Sol continua sem fazer sombras de oitocentos metros e ninguém passou a usar batas brancas até aos pés.

(Esta crónica vai dar a algum lado? Vai.)

Grândola, vila morena, alentejana e portuguesa. Terra de bons poisos para comer. Lá perdido num perdido parque de estacionamento encontrámos um desses locais, a viver um porventura momento de descanso da trabalhêra estival.




Lindo, lindo. Um único reparo: não faria muito mais sentido, não seria muito mais defensor da língua e da cultura alentejanas que se publicitasse o prato principal deste perfeito restauromóvel como CANITOS?

O tempora o mores...

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