Como tordos


"Sou sincero e sou directo: o mercado é muito complicado, a vida está numa situação muito complicada, o Governo nunca ajudou e até nos cai em cima com impostos cada vez mais fortes (...) eu não sei quanto tempo vou aguentar (...) espero voltar a vê-los, ainda estar cá durante muito mais tempo mas se um dia ouvirem dizer que o Gemelli já cá não está, não levem isto a mal,
 (...)"

Chegou o dia então, o Gemelli fechou o Gemelli.

O José Júlio Vintém fechou o Tomba Lobos e foi para o Recife.

O Fausto Airoldi fechou o Spot São Luiz.

Todos os dias restaurantes fecham, nem em dia de caça aos tordos a pontaria é tão grande. 

Há dias, na Madragoa, entrámos num restaurantezinho simpático, vinte lugares, por aí, as luzes a meia-haste, a cozinheira/dona entristecida sentada numa mesa à espera de Godot. 

Nós fomos o seu Godot nessa noite, os únicos a aparecer. A noite foi simpática - os pratos, comida portuguesa de petiscar com um toque pessoal, souberam bem e não foram incomodativamente caros. 

Mas que ar de fim de festa no ar.

Mas que ar de fim de festa neste país. Quantos mais vão ter de falir para se perceber que se está a percorrer o caminho ao contrário?

E o que faz a ARESP, o que faz a ACPP, o que fazem as escolas de hotelaria e turismo para além de gemer, protestar baixinho, reagir?

Onde a proactividade? Se é quase declarada a intenção do Estado de dizimar grande percentagem do sector, quando é que os principais interessados no mesmo - os seus actores - começam a fazer diferente?

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