Whatever happened to Alexandre Silva?

Prosseguindo, neste Agosto de gelatina, com a publicação de algo há muito semi-pronto para tal: as apresentações dos chefs no Peixe em Lisboa, idas há quatro meses para o quartel das memórias gastronómicas de quem a elas assistiu e para a casa do esquecimento de todos os outros.

Houve cozinheiros que me deixaram a lembrança apalatada, uma apreciada e grata recordação, uma certa felicidade pela oportunidade de os conhecer - ou re-conhecer - de contactar com a sua arte, as suas propostas. De sentir as suas criações, em coerência com as suas ideias, consistentes, saborosas, apetecíveis de experimentar e de partilhar. Cozinheiros que justificaram cada minuto empregue em ouvi-los, cozinheiros convidativos que fazem pensar, que são um convite a uma nova visita, um novo encontro, um novo prazer.


O Alexandre Silva não foi nada disto.

Perdido entre uma declarada devoção pelos (agora descobertos?) sabores e saberes do Alentejo e o passado recente que lhe fez o nome e a notoriedade, auto-deslumbrado com a neófita vocação de autor cinematográfico, apresentou pratos que foram... nada. Nem respeitosos com a tradição que afirmou perseguir, nem criações dignas - apenas desinspirados arranjos culinários de produtos locais, atabalhoados, displicentes.





Não sei se o chef aspira mudar de profissão, se entende a estadia no Alentejo profundo como um exílio castigador ou se, como os jogadores do Sporting da época passada, se "esqueceu" de como se faz bem aquilo que já tão bem fez.



Para esta cozinha, para estas propostas, para este quase desprezo, não há mesmo vontade de rumar a Vila Viçosa.

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