Mais uma voltinha mais uma viagem

Aviso prévio: post escrito com pinças para não melindrar ninguém nem das minhas palavras se inferir o que não pretendi afirmar.




1. Lisboa no Verão deixou de ser o monumental ferro de que já Eça se queixava mas continua a ser palco para a silly season que é, como sabemos, a altura do ano em que políticos afirmam que nuncapornuncamasmesmonuncaparecequenãomeestãoaouvirjuropelasaúdedosprincípiostodosquedefendodesdeque osmeuspaismosinculcaram voltarão com a sua decisão atrás, tribunais de primeira funcionam como repartições de segunda ou restaurantes da Baixa ou seja, com metade dos funcionários do quadro ou ainda se assista a uma dança de cadeiras no topo da hierarquia restaurativa que - sim ou não - ninguém esperava.


2. Henrique Mouro deixou a direcção do projecto Assinatura e parece que, dentro em breve, tentará devolver ao Tavares a estrela perdida de José Avillez. Nave em mar tormentoso me pareceu o restaurante desde as entrelinhas do comunicado da saída deste, ao pouco tempo de permanência de Aimé Barroyer e ao seu prolongado fecho. Que a força serena - e a inventiva e a capacidade - de Henrique Mouro a consigam levar a bom porto - e por muitos anos! A cidade precisa deste espaço que já viveu em três séculos e de um dos mais seguros chefs da sua geração.

3. Para o Assinatura partiu João Sá que me entusiasmou no G-Spot, em Sintra, com a combinação de irreverência e algum experimentalismo, em rara aplicação em Portugal do conceito cozinha-de-autor-low-cost. Tem a seu lado Vitor Areias, o talentoso dinamizador do exilado projecto Confidential Kitchen que conheci num jantar organizado o ano passado... no Assinatura.




4. Do 100 Maneiras saiu João Simões, o braço direito de Ljubomir Stanisic em direcção ao novo restaurante do Chef Cordeiro. Veremos como o sérvio mais português de Portugal irá conseguir equilibrar restaurantes, livros, projectos televisivos e descobertas aquém e além fronteiras.



5. Alexandre Silva confirmou o que alguns intuíam e concluiu o seu período de descoberta alentejana, preparando-se para tomar conta de um espaço - o Bica do Sapato - que, pela sua história  (Joaquim Figueiredo, Fausto Airoldi, Paulo Morais) me parece em muito melhor sintonia com o passado e as potencialidades do chef.

6. Novidades amplamente noticiadas em primeira mão e em cacha noutros locais. Da vontade de mapear os percursos, involuções, revoluções, continuidades de algumas das personalidades deste meio tão volátil, tão carente de continuidade, tão falho de visão a longo prazo, resultou este registo em voz segunda.

7. Perguntas para o post season: quem aceitará a cozinha do Narcissus?

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