Convocatória



A Adega dos Lombinhos não é melhor nem pior - é uma tasca das que havia, com defeitos e qualidades, com desgostos e satisfações. Não inova nem é excelente. Limita-se a ser o que sempre foi - uma tasca, um restaurantezinho para as necessidades quotidianas, um lugar de poiso para lisboetas da primeira cintura e para as aves de arribação de outros portos da cidade.

É um três estrelas lisbonin, um local do ontem no presente que não deveria erradicar-se. Não precisamos de uma tradição anquilosada e muito menos de uma tradição plástica, retirada do contexto para turista ver, consumir e levar embrulhada para a caixa das memórias típicas dos típicos países visitados mas precisamos, sim, destes espaços que nos recordam de onde viemos, que nos despertam as memórias genéticas e, ainda que assim já provavelmente não sejamos, fazem parte do nosso cimento civilizacional.

A Adega vai fechar dia 31 de Outubro, consequência da apregoada vontade municipal de vender a Baixa pombalina ao turismo (mas há coisa mais lisboetamente turística que uma genuína tasca lisboeta?) e da tendência nacional para considerar que onde hotela um português (8 em 2005) hotelam logo dois ou três (no caso 26, licenciados neste mandato).

Deixo-vos por isso, a vós lisboetas de coração, manducadores por disposição, protestantes por opção, um repto/convocatória: ide, IDE, IDE, rapidamente e em força, comer um pratinho de lombinhos à Adega dos ditos até ao final do mês. Comei, fotografai, publicai, enchei desses momentos a internética atmosfera.

É que, a partir de Novembro, lá se preparará o sítio para mais uma plástica memória, um falso néon, uma coisinha em forma de nada. Ou de nothing que é mais internacional e vende melhor. Typical, pois.

Comentários

Luis Santos disse…
Sem dúvida alguma que tentarei lá passar até ao fim do mês! Que tristeza a perda de uma tasca à antiga em Lisboa!
http://devaneiosdeumfoodie.blogspot.com/
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Nuno Diniz disse…
Fui várias vezes. Vão assim desaparecendo espaços de cozinha simples e barata de onde se saía satisfeito.
É uma pena...
Nuno Diniz

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