Cervejas tugartesanais

Portugal, no que diz respeito ao mercado cervejeiro, é um quase duopólio, com as políticas, para além de agressivas, das gigantonas Unicer e Centralcer, a dizimar a concorrência . Um quase duopólio é igualmente o que se reflecte no perfil de gosto dos consumidores, muito pouco avessos a desafios. Tradicionalistas na sua mine, serão poucos os disponíveis para acrescentar mais uns euros à conta mensal da cerveja o que, naturalmente, dificulta ainda mais o sucesso de novos projectos.

A produção artesanal de cerveja, pelos seus custos razoáveis, pela rapidez (ao contrário do vinho) nos resultados, pela disponibilidade dos ingredientes, pela miríade de variantes possíveis de ser adoptadas, é uma actividade com uma elevada capacidade de atracção pelo que é habitual, nos países com maior consumo per capita, a existência de um universo cervejeiro diversificado, com dezenas, mesmo centenas, de pequenas unidades artesanais, cada uma exibindo produtos bem diferenciados da concorrência, cada uma com o seu nicho de mercado, cada uma devotamente consumida por conhecedores e amantes das suas particularidades.

Na Europa, a Bélgica será o exemplo mais reconhecido, mas tanto a Inglaterra quanto a República Checa têm uma tradição artesanal que continua bem activa. Os Estados Unidos serão o país com maior número de empresas deste nicho de mercado mas o Brasil, com as dezenas de milhões de futebolocervejamantes a garantir que um nicho de mercado interessante, começa a pedir meças (existem mais de 200 microcervejarias).

Por cá, lenta e espero que seguramente, surgem-nos com a surpresa de uma boa descoberta, promessas que merecem ser acarinhadas.

O problema de um país enoooorme como o nosso é o das distâncias a percorrer pelos produtores para disponibilizar os seus produtos numa tasca perto de nós. E, nestes tempos de contas fininhas, andar em peregrinação pelo país torna-se raro, porque perto do incomportável.

Felizmente, há taberneiros conscienciosos, merceeiros criativos, gourmetistas militantes que lá nos vão permitindo o prazer.

Sem notas de degustação - porque a velocidade da prova põe à prova a capacidade de a descrever - aqui vão referências (clicar nas denominações para ligação a sites) e fotografias dos gloriosos projectos das canecas gulosas nacionais que mexem por cidades e vilas. Felizmente há internet, é ler, contactar e tentar encomendar.

Com o precioso (e involuntário...) auxílio da Cerveja Artesanal Portuguesa:

Amphora  Braga - Póvoa do Lanhoso
Cerveja Artesanal 5-F’s Guarda
Cerveja Letra  Braga (Anteriormente Cerveja Artesanal do Minho)
Deusa  Oliveira de Azeméis
Dois Corvos  Lisboa - ainda muito nova
DUX Beer Coimbra
Faustino Microcervejeira - Maldita Aveiro
Mártir Alfândega da Fé







Mean Sardine Ericeira / Mafra

Neste momento, só estão disponíveis a Zagaia e a Tarrafa. Do site:

"Esta Zagaia é uma cerveja artesanal constituída por 4 tipos de maltes de cevada, 2 tipos de lúpulos adicionados em 3 estágios, açúcar candy, levedura e água. Na prova sentimos um aroma a malte, caramelo, frutas e algumas especiarias; apresenta um sabor suave a malte, caramelo e especiarias. O corpo é médio e ao mesmo tempo seco no palato devido ao uso de açúcares especiais candy. Acompanha bem grelhados, carnes estufadas e assadas, queijos curados, tiramisu, bolo de chocolate e outras sobremesas de média intensidade. Deve ser servida a uma temperatura entre 8 a 12ºC, num copo tipo tulipa.
Esta Tarrafa é uma cerveja artesanal constituída por malte de trigo, dois tipos de maltes de cevada, um tipo de lúpulo adicionado em 3 estágios, levedura e água. Na prova sentimos um aroma a cereal (trigo), fruta (banana) e cravinho; apresenta um sabor a malte de trigo, alguma especiaria no final e um baixo nível nível de amargor. Apresenta-se turva, com corpo leve, fresco e um bom nível de carbonatação. Acompanha bem pratos leves de verão: saladas, peixes “leves”, tostas… Deve ser servida fresca (5-7ºC), num copo alto (para deixar criar uma boa espuma). Pode ser servida com uma rodela de limão ou laranja."

Mediaevalis Aveiro - Weissbier e Dunkel
Praxis Coimbra





(Paixão à primeira vista, por esta 2 litros, levou-nos à loucura - 35€?
Só mesmo por delírio amoroso)



Rolls Beer e Templarium Pombal


(Disponível na Taberna da Rua das Flores, Lisboa)

Sovina Porto
Toira Anadia 
Vadia Vale de Cambra


(Esta foi desenvolvida nos tempos em que o Clube de Jornalistas era gerido pelo André Magalhães. Da sua mente fervilhante nasceu o projecto, desenvolvido com o mestre cervejeiro António Augusto Ferreira, da UNICER. A provar que, mesmo numa major, gosto há, o que falta são clientes...)







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