Px em Lx 2014 ao vivo (I) - Convento dos Cardaes e Terrius



Mixed feelings, nestes primeiros dias do Peixe 2014.

A tenda em plena praça, a fazer de auditório, parece-me uma despromoção em relação à solução anterior. Se o ruído ambiente do evento foi eliminado, herdou-se o bulício do tráfego, principalmente quando uma ambulância decide publicitar-se, levando à interrupção da apresentação. Aumentou a distância entre o público e a bancada, estando a visão da preparação reduzida aos ecrans, afectados pela luz diurna, reflectida nos mesmos. Finalmente, em dias de chuva, torna-se desconfortável o percurso até à tenda, chegando-se molhado pelo passeio ou ofegante pela corrida e... molhado.

Aspecto a reflectir e melhorar na próxima edição, por uma organização que, durante estes anos, se tem mostrado eficaz e empenhada em aprimorar o evento.

Entusiasmo pelo programa e por muitos dos expositores. Mesmo repetindo a presença - o que é sinal de saúde empresarial em projectos merecedores da atenção dos consumidores - vale sempre a pena parar para dois dedos de conversa, provar as novidades, arquivar, para memória futura, mais umas quantas boas experiências degustativas.

Integrados neste grupo e vizinhos de bancada, as senhoras do Convento dos Cardaes / Associação Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos e os entusiastas da Terrius que persistem em criar belos produtos, a partir dos complexos sabores da matéria prima disponível no longínquo concelho de Marvão.

Dos Cardaes, vetusto convento lisbonense (se não me falha a memória, o único que escapou ao desprezo da I República e ainda hoje continua activo na sua missão de bem fazer) e da Associação, fundada em 1848 e desde 1877, sediada no Convento relembre-se o meritório trabalho objecto da sua criação: o do apoio e cuidado a cegas ou portadoras de multideficiência. Estando a parte assistencial a cargo de uma comunidade residente de irmãs Dominicanas, cabe à Associação a responsabilidade pela administração, conservação do património e animação cultural do Convento dos Cardaes, estando a produção e comercialização de diversos produtos gastronómicos integrada na rentabilização e criação de novas receitas para a Obra.

Compotas, marmeladas, chutneys, condimentos e molhos com os produtos da horta e das doações de produtores biológicos, biscoitos para o chá, azeite, bolos caseiros, doces e salgados compõem o catálogo de coisas boas que por lá -

Rua do Século, 123 ; 1200 -164 Lisboa ; Tel.: + 351 213 427 525 ; conventodoscardais@net.vodafone.pt

se podem encontrar.

Lançados recentemente, estes dois molhos picantes são ... abrasivos... para os não-iniciados, mas de um flavour delicioso.



Destaque igualmente para este chutney do Cabo (receita enviada por mão amiga, originária da Cidade do Cabo, na África dos Sul), ideal para colocar nas bolachinhas do vizinho do lado (ler abaixo).


E o vizinho da lado (aqui, pelo menos) é a Terrius, empresa cujo principal objectivo é a produção sustentada, a conservação e a comercialização dos produtos silvestres, dos frutos e dos hortícolas de excelência originários da região da Serra de S. Mamede, no Alto Alentejo.

(Do site da empresa)
A par da valorização dos produtos locais - especialmente a recuperação das certificações DOP e IGP com base num desenvolvimento sustentado local, no respeito pelo meio ambiente e pelas comunidades - a empresa tem vindo a desenvolver novos produtos, com base na matéria prima endógena de que são expressão a farinha de cogumelos ou os chutneys, produzidos a partir das várias espécies recolectadas na serra.



Disponíveis, boletus edulis, trompetas, morchellas, senderilhas, um manancial de umami para preencher os nossos pratos.


Mas o que faz mesmo perder a cabeça, são os snacks de cogumelos, biscoitos tamanho família monoparental, que começamos a comer distraidamente para só parar... quando mais não há.

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