Px em Lx 2014 ao vivo (VII) - Chefs da escola francesa: neo-cozinha do passado (I)?



Para que não existam dúvidas: o chef executivo do restaurante Varanda, situado no Four Season Hotel Ritz, Pascal Maynard, demonstrou, na sua apresentação do mês passado, as razões porque é considerado um dos grandes chefes a trabalhar em Portugal. Rigor, perfeição na escolha das combinações de sabores, curiosidade e gosto pela descoberta de novos elementos, destaque dado a produtores e produtos de qualidade, atenção à produção nacional, sentido estético, tudo esteve presente neste show cooking.


Infelizmente - e involuntariamente - também estiveram presentes as razões que me parecem subjacentes ao progressivo apagamento da cozinha da escola francesa da curiosidade e da atenção mundiais: a de lhe faltar contemporaneidade, novidade, uma linguagem da frente.



Gongórica até à exaustão, plena de elementos perfeitos mas que, de tantos, poucos se conseguirão reter na memória.


Neo-cozinha do passado, apetece-me designá-la. Como a arquitectura contemporânea que usa uma gramática setecentista, ou um compositor contemporâneo que produz árias barrocas, esta é uma cozinha que produz resultados formalmente perfeitos mas a que falta a condição do presente, melhor, o anúncio do futuro.


Como a visita da velha senhora que nos encanta com a sua elegância, o seu charme, o seu savoir faire mas que não deixa de ser... idosa.


Volto a repetir: belíssima, mas idosa...


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