À sombra dos amanitas em flor

Estranha dissonância entre a Natureza e o Homem, o Outono é, em simultâneo, um tempo que anuncia um princípio de fim e uma continuidade: começa a Natureza a sua morte de Fénix e inicia o Homem mais um ciclo de aprendizagem.

Começa o Outono e recomeçam os almoços-aula (aprendem os alunos, aprendemos nós com o resultado dos seus trabalhos) das 4ªs feiras na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa.

Visto do lado de lá, é um mar de olhares - ainda cheios de dúvida, à procura do professor, à procura de respostas, de um gesto de segurança ou um olhar de reprovação que permita recuperar a rota -, de gestos - seguros uns, hesitantes outros -, de murmúrios, conversas, falas.

Um ainda torrão, fumegante, é aberto e revela-se túrgido de uma carne fibrosa, olorosa, húmida, tão prometedora.

Cogumelos, cogumelos, cogumelos, de formas e tons díspares, aguardam uma decisão de empratamento.

Há uma audácia contida e uma tensão temerosa, agora que a estreia se aproxima e todos se consciencializaram que, mais que a sério, um certo mundo lisboeta, sulista, elitista e gastrónomo, está de olho no resultado.

High stakes.

Estive quase a desejar "merda!" mas pensei que poderia ser mal interpretado.






  
























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