Henry Moor? Henry More!

Valha-me ao trocadilho a aproximação da realidade.

Como as "reclining figure" do mestre quase homónimo, a cozinha de Henrique Mouro sempre me agradou pela simultaneidade do moderno e do clássico, pela exploração de ideias próprias e o uso do tradicional, pela integração da contemporaneidade numa linguagem assumidamente herdada.

Moore soube ser ele próprio sobre as formas e a realidade do passado da escultura europeia.

Reclining Figure, Henry Moore
Torso de mulher reclinada, Auguste Rodin, princípio do século XIX
(Museu Rodin, Paris)

Homem reclinado, escultura integrante do frontão leste do Parthenon cerca 447-433 AC (Fídias?)
(British Museum ; fonte: Wikipedia)
Mouro sabe ser ele próprio sobre os temas, as matérias-primas e o seu tratamento do passado - longínquo e recente - da gastronomia portuguesa.

Sardinhas com morangos, Henrique Mouro, 2010
Quem se atreveria a trazer o morango para as festas juninas?

Bacalhau desfiado com Queijo do Paul, Henrique Mouro, 2011
Reminiscências do bacalhau pil-pil, do Bacalhau à Conde da Guarda...
Sardinha assada em xerém de bivalves, Henrique Mouro, 2012
Dois dos mais tradicionais actores da cena gastronómica tradicional, em casamento com tanto de inédito como de bem-sucedido
Após um hiato de dois anos, consegui reencontrar a sua mão, num jantar promovido pela Cozinha Popular da Mouraria, o grande trabalho de formiga que Adriana Freire idealizou, lançou e continua a desenvolver.



Um grande senhor da cozinha continua a ser grande, contra ventos e marés.



Já tinha saudades, Henrique.

Creme de abóbora e requeijão de ovelha

Perna de frango recheada com alheira de caça

Bolo de chocolate com azeitonas doces

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