Culinary Arts #3.04 - Haver o polvo


Ir à escola deveria sempre provocar tanto prazer como o sentido nestas visitas semanais por quem demanda a manduca produzida pela atenta&dedicada turma do dia.


Season de memórias regionais, abertas a variações, propostas pelo maestro Dinz e pela orquestra, em conjugação de esforços e comunhão de aprendizagem, em registos diversos mas, mesmo assim, comungados.

O verbo descobrir, conjugado no presente do indicativo, na primeira, segunda e terceira pessoas, O verbo partilhar, ressonando em cada novo semestre. A estas mesas nos sentamos, a olhar um, cada vez mais próximo, tempo de Primavera.

De anfitrião, começa por chegar um Bacalhau à Conde da Guarda, amparado em altas muletas de batata frita.


Logo seguido da dupla Butelo&Casulas, o butelo, talvez o enchido mais caracteristicamente transmontano - porque inexistente noutras latitudes lusas - e as vagens ainda encapsuladas, tradicionalmente assim mantidas e secas para melhor preservação. Cozido em panelinha de ferro e exterior fogueira, um aroma de fazer levantar por inteiro e aclamação o Municipal de Bragança.


Com o polvo, chegou Camilo: foi (sim, adivinharam...) amor de perdição. Textura suave, cedendo à terna mordidela de quem, primeiro, explorou gentil e logo, apaixonadamente, trincou. Puro prazer, como a comida deve ser, de fechar os olhos e suspirar com frémito. O polvo, criatura de velhaca aparência na nossa memória cine-teléfila, mas que, depois de entranhados tentáculos e ventosas, se revela reconhecido e fiel amigo, aqui foi estrela.




Feita que estava a boca, com tão leve trilogia, terminou-se a substância com alegre e composta chanfana, o molho a exigir muito pão de ensopar, o acre do verde a temperar a proteína.


E o doce. Brincadeira à volta da nabada do Convento de Semide (concelho de Miranda do Corvo), onde alguns também defendem ter nascido a chanfana. Este menino encerrou com aplomb mais uma viagem à volta do gabinete do Dr. Diniz.

Um dia destes, terei de rever a firme posição que mantenho, cada vez mais periclitante, de não vassalar muito entusiasmo os doces.




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