O Castro na Elias

Agora que se anuncia a saída de Miguel Castro Silva do Largo, aproveito para dar novas dos petiscos servidos no que foi o seu primeiro restaurante da capital: o De Castro Elias, situado na homónima rua das Avenidas Novas.

Não sei se todos os lisboetas são como eu e se, postos perante a familiaridade com que tratam as figuras oitocentistas homenageadas nas avenidas e ruas desta área da cidade, precisam de uma corrida rápida aos livros de história para distinguir entre duques de Ávila e Loulé, Valbom e Valmor,  poeta e político Bocage, Casal e Tomás Ribeiro. Apesar da homenagem, apesar da tentativa de perpetuação oferecida por uma vereação também ela há muito ida, são-nos apenas topografia: traçamos percursos pontuados pelas suas despersonalizadas nomenclaturas, pisamos-lhe as calçadas e o asfalto, demandamos lojas e amigos que ocupam números em frente aos seus nomes.

O Elias que termina o restaurante é, pois, o Elias da Avenida, José de nome primeiro, jornalista, político, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, maçon. Estas coisas andam todas ligadas. Quanto a presidentes da Câmara, prefiro Duarte Pacheco, que fez crescer a cidade para o futuro como mais ninguém e morreu jovem, como só aqueles amados pelos deuses, ou Rosa Araújo, que moldou a avenida da Liberdade e morreu arruinado, por ter posto a fortuna ao serviço da cidade. Fortuna herdada do pai, criador do Cócó, doce célebre, celebrizado e muito procurado e, como tudo que muito procura, devora e deita fora, abandonado dos costumes. Ora quem diz doces, diz também petiscos e de petiscos se constroi agora a oferta renovada do De Castro Elias. Petiscos bem lisboetas, confeccionados a preceito dos quais tive a oportunidade de provar alguns em combinada apresentação, sob a égide da Zomato, numa noite de encontros, conversa animada e algumas revelações.

E, por uma vez, estando a petisqueira lisboeta no coração de todos nós (vá lá, mesmo não sendo lisboetas, se me lêem, ela também está no vosso coração...), basta-me acrescentar que vale a pena a demanda: são boas as entradas e são acolhedores os pratos principais - vejam-se as fotografias e encha-se a boca de desejo:


Peixinhos da horta, com maionese de alho e limão


Polvo à Galega, com batata nova e pimentão fumado

Xerém de amêijoas


Mini francesinhas com molho picante

Tiborna de bacalhau, com espinafres, batata a murro e crosta de broa

Ameijoas com feijão manteiga, abertas à Bulhão Pato com feijão à Basca

Bacalhau à Brás com lascas do lombo especial

Sericaia com ameixa de Elvas

Bolo de chocolate sem farinha

E não são belos, os pratos da Costa Nova?

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