Oxente, tu visse? Pelas terras do Nordeste - Início


Não, não é do meu quarto que avisto o mundo – antes deste jardim caseiro que se constitui como epítome tropical. Verdes de muitos matizes, pássaros de muitos cantos e os aromas do almoço que, enquanto se fundem harmonicamente, me despertam o palato e as memórias gustativas. Neste pequeno-grande espaço de exuberância vegetal, oásis para nós europeus habituados a ver o Nordeste como pouco mais que um sinónimo de sertão e seca, a culinária doméstica é-me tão próxima como a que deixei há 6 mil quilómetros. Apesar das mãos que a pensam serem brasileiras de várias gerações, há nelas um traço tão comum de portugalidade que, não fossem os ingredientes que esta terra prodigamente oferece, ela pareceria emanada de qualquer uma das cozinhas polvilhadas entre o Bairro Alto e a Ribeira.



Privilégios. Do outro lado do caminho crescem árvores de fruto, de nomes que, na selva de Ferreira de Castro, soariam bem - Jambo-do-Pará, Jaca, Manguito -, onde correm em labirintos de equilibrista, saguins desabituados das agruras da vida selvagem. E a seguir uma piscina, com a inevitável grelha a tiracolo, à espera do churrasquinho de final-de-semana.





Volto à realidade do almoço: convocam-me para a mesa, onde, entre uma loira estupidamente gelada e uma (por agora) ruiva, filialmente amada, me irei perder por algumas horas, com conversas descontraídas para ambientar.





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