Rocks around the table



São bonitas e querem trazer para mercados mais elitistas o forte sabor de outros tempos, do artesanato tradicional, dos tempos demorados de execução, dos saberes de gerações.


Têm, na sua génese, dois nomes relevantes na gastronomia portuguesa - Nuno Mendes, O Nosso Homem em Londres, Paulo Amado, O Nosso Homem das Edições do Gosto - que contactaram o ferreiro Carlos Norte para a sua execução e a Catarina Portas, A Nossa Vida Portuguesa para a comercialização.


As nininhas encantam-nos, a nós portugueses que, basta ouvir o primeiro acorde de A Portuguesa para ficarmos com um grãozinho na garganta e uma vontade de ir a correr até à mercearia mais próxima dar um abraço ao senhor Almeida (sim, eu sei que dá um trabalhão encontrar uma mercearia que não tenha um senhor Tabeeb ou um senhor Javaid a substituir o senhor Almeida) e comprar um chouriço (o chouriço fica mais gostoso se cortado a preceito, com a madeira do cabo a adoçar-se ao interior da mão), um queijinho e um tinto da terra (até o vinho sabe melhor se, no copo, se reflectir o desenho da lâmina!).

Que fascínio nos prende o olhar nestas linhas angulosas e totalmente mortais? O que transforma instrumentos potencialmente perigosos em sensuais objectos de paixão? São os anéis da madeira de oliveira, revelados pelo corte e acentuados pelo tratamento? O desenho do cabo? O apelo da adolescência subjacente ao nome?


São belas. Incitam-nos à sua compra e uso. E sei que iremos morrer de paixão consumada no dia em que, no distante exterior, entrarmos num restaurante de créditos reconhecidos e as virmos na mesa, à nossa espera, portuguesinhas mas honradas, portuguesinhas mas tesas, portuguesinhas mas vencedoras.


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