YEP, these are great olive oils!


O tio Garrett que me desculpe mas nem a mais famosa das encenações do Frei Luís de Sousa me faria salivar tanto quanto a recente apresentação dos azeites do colectivo YEP realizada no Café homónimo, portas dentro da ilustre casa-mãe do teatro português.

Seis produtores conscientes das suas responsabilidades (enquanto empresários, enquanto representantes de um terroir específico - o Nordeste de Portugal -  que lhes corre de herança, enquanto integrantes deste movimento em crescendo que é a gastronomia portuguesa) perceberam o que é óbvio em muitos pontos do planeta mas que, em Portugal parece tabu: a união faz a força, a conjugação de esforços produz sinergias superiores à da soma das partes, as fraquezas individuais são ultrapassadas pela força colectiva.

Nasceu assim a YEP - Young EVOO Producers. (E o que é um "EVOO", perguntam vocês? Pois, é um Extra Virgin Olive Oil - também perguntei)




Pequena nota informativa: segundo a definição acordada internacionalmente, "Azeite virgem" é o o óleo extraído exclusivamente da fruta da oliveira (Olea europaea L.), sem recurso a solventes ou processos de re-esterificação e sem mistura com óleos de outras origens, por processos mecânicos ou outros processos físicos - em condições de não alterarem as suas características originais - e que não tenham sofrido outros tratamentos além da lavagem, da decantação, da centrifugação e da filtração, podendo ser:

Azeite Virgem Extra (Extra Virgin Olive Oil, EVOO) - Azeite virgem com uma acidez livre, expressa em ácido oleico, não superior a 0,8%;

Azeite Virgem (Virgin Olive Oil, VOO) - Azeite virgem com uma acidez livre, expressa em ácido oleico, não superior a 2%;

Azeite Lampante - Azeite virgem com uma acidez livre, expressa em ácido oleico, superior a 2,0%.

Já agora, a acidez de referência exprime a quantidade de ácidos gordos presente no azeite a qual é devida a factores como a utilização de azeitonas com doenças (com contaminação de microorganismos ou bolores ou sofrido acção de parasitas ou insectos), tocadas ou com excesso de tempo na árvore ou em armazém.

Mais importante que a acidez é, no entanto a classificação sensorial que completa aquela e é determinante na atribuição da denominação: por exemplo, para ser "virgem extra" o azeite tem de se apresentar obrigatoriamente frutado e sem atributos negativos.



Ou seja, um azeite "virgem extra" dá-nos não só a garantia de conter poucos ácidos gordos como a de ter sido elaborado com uma técnica irrepreensível e que reproduz, o mais fielmente possível, as características originais de flavour das azeitonas (e, como tal, também do terroir a que pertencem os terrenos onde foram cultivadas) de onde foi extraído.



(Para explicação mais detalhada, ler o que escrevi aqui)

Nas suas palavras, a YEP tem na sua génese "um conjunto de "jovens" produtores de azeite, cujos princípios elementares assentam em quatro denominações comuns: Qualidade, Terroir, Excelência e Irreverência.". Eis um bom princípio que tem princípio "numa área geográfica bem definida, o Nordeste de Portugal" mas que admite, em fase posterior, alargar-se a produtores de outras regiões do país.

 A partir da esquerda:
1. Francisco Rocha Pires (Mont'Alverne)   2. Tiago Morais (Caixeiro)  3. Conceição Manso (Casa de Valpereiro) 4 e 7. António (Casa de Santo Amaro) 5. Francisco Mendonça Moura (2A TUA) 6. Pilar Abreu e Lima (Magna Olea)  7. Francisco Pavão (Casa de Santo Amaro)  8. António Manso (Casa de Valpereiro)  9. Jerónimo Abreu e Lima (Magna Olea)




E, sendo apenas palavras se não forem apoiadas pelas acções, é bom saber que na sua definição de missão se encontra "desmistificar, dinamizar e sustentar o papel do azeite na economia nacional como porta estandarte para a exportação e promoção do conceito Farm-to-Table junto do consumidor" e que a sua visão é "ser referência mundial na valorização e promoção de azeites virgem extra de elevadíssima qualidade".

A este entusiasmo prévio, juntei o prazer que me provocou a prova dos azeites dos seis fundadores, conjuntamente com as harmonizações idealizadas pelo Leopoldo Calhau, a saber:

Mont'Alverne (Francisco Rocha Pires)

Queijo fresco com beldroegas / Mont'Alverne

CAIXEIRO (Tiago Morais)

Gaspacho (s/vinagre) / CAIXEIRO

Casa de VALPEREIRO (Conceição e António Manso)



CASA DE SANTO AMARO (António e Francisco Pavão)

Cabeça de borrego desfiada com puré de cenoura assada / CASA DE SANTO AMARO

Cabeça de borrego desfiada com puré de cenoura assada 

2A TUA (Francisco Mendonça Moura)



MAGNA OLEA (Pilar e Jerónimo Abreu e Lima)

Enchidos de  Vinhais / MAGNA OLEA

Os enchidos da ViFumeiro, de Vinhais

Prazer aumentado pela descoberta do primeiro azeite YEP, blend das 6 marcas, onde à frescura de aroma (verdura, erva cortada) se segue o picante típico dos azeites da região, algum amargo e uma persistência na boca de realçar. Referência para a garrafa, inteligente associação entre a forma (que nos remete para a perfumaria, para produtos de qualidade) e uma ideia de requinte que subconsciente, acabamos por associar à marca - e que acabamos por confirmar na prova.



Nota para os convidados do terroir - que, não querendo deixar créditos por províncias alheias, se apresentaram à altura dos anfitriões - os vinhos Romano Cunha e Mont'Alegre, o fumeiro de Vinhais da ViFumeiro, os queijos da Queijaria Vaz, o pão da Padaria Vieira os frutos secos - amêndoas e castanhas judias, da Soresa e da Agromontenegro.

Para além dos produtores, à frente a partir da esquerda, Joaquim Arnaud e Romano Cunha. Na última fila, as barbas inconfundíveis do dono da casa, Leopoldo Calhau.
Com a generosidade e disponibilidade que lhe são características, não deixou de comparecer o Joaquim Arnaut e a Quinta dos Plátanos.

Romano Cunha: o vinho transmontano marcou presença com este produtor
e com o Mont'alegre, de Francisco Gonçalves,
para além do Quinta dos Plátanos, de Joaquim Arnaud,
homenagem da região de Lisboa a estes ilustres visitantes

Uma festa e tanto.


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