A caminho do GSpot



Uma joia. Não, joia não. Uma gema que vem sendo burilada desde há mais de um ano, para ultrapassar em admiração aquele kõh-i-noor famoso da nossa infância de aventuras imaginadas, ou como dizem que a equipa do Sporting é, uma gema cheia de potencialidades, à espera da mão continuada e paciente da equipa técnica e da ausência da mão impaciente da equipa de espectadores.

É assim que é o GSpot Gastronomia, em processo acelerado para a maturidade e para a merecida luz, incrustado no  our very own Glorious Eden (assim, com maiúsculas, porque citação de um bardo grande - também grande na safadeza com que usou, abusou e deitou fora os nacionais que tiveram a desdita de lhe estar no passeio por lusas terras), rua sossegada à entrada da procurada Sintra, vista privilegiada para a serra e adoçadas muralhas, mais próximo as chaminés do palácio da vila e a memória dos passos em volta do rei-irmão Afonso, desapossado de trono e rainha.

Espaço mínimo, oferta máxima, consubstanciada em meia-dúzia de propostas de deixar memória e pedirem novas revisitação.


Mesas semi-cobertas por individuais, com a graça de uma solitária flor, talheres esguios e delicados, guardanapos de pano. Um calmo e desapressado espaço, serviço algo irregular, ainda que simpático.





Um corriqueiro par manteiga-azeite, com o acento na boa apresentação e na qualidade dos produtos, a acompanhar crocante e fresco pão, em três variedades.


(Hum... Vergonhosamente, perdi as minhas notas. Obras em casa e a minha natural descontracção em enfiar papeis em tudo quanto é sítio deram nisto. Portanto o texto a partir daqui vive só da memória e das sensações que ficaram. O site em manutenção também não ajudou nada. Fica a promessa: quando encontrar a informação necessária, completo o texto.)

Duas sopas saborosas. Será esta a sopa de frango com caril?






Deste prato, é impossível não reter a magnificência do "pastotto"(palavra minha?):  massa de bago preparada como um risotto - envolta lentamente em pequenos goles de caldo, a encher-se, perfumar-se dele, homogeneizada com a tinta de choco. Absolutamente delicioso. E já viram a apresentação? A posta de peixe no ponto certo.


Um bife com batatas fritas a la GSpot: desconstrução/recriação/reapresentação do prato icónico de miúdos e (muitos) graúdos: ovos de codorniz, lombo, fatia de pão (reparem no pormenor da identidade de alturas entre pão e carne), as batatas em montinho geometrizado. Simples e personalizado.


Finalmente a sobremesa: se não me engano, pudim Abade de Priscos (em pequeno escala porque é uma bomba) "cortado" pelo gelado de tangerina. Uma espuma de...? só para compor e uma lâmina (de maçã?) seca.


O meu conselho: aproveite-se enquanto dura. Comecei por pensar que merecia estar em Lisboa, mas mudei de opinião. Está muito bem onde está - a localização é, aliás, parte da sua identidade. Quem disse que as coisas boas deveriam estar à mão de semear? Há que batalhar por elas! Ide, pois, a Cintra, desfrutai a vista e a serra, aproveitai o luar para um passeio pelas ruas silenciosas. Comei, bebei e amai que o mais é nada  e o GSpot será um bom patrocinador.

Classificação: Cozinha - 4,2/5 ; Global - 16,4/20
Preço: $$ (>15€; <30€, sem vinho)

Restaurante Gspot Gastronomia 
Alameda dos Combatentes da Grande Guerra, nº12-A/B 2710-426 Sintra
Telefone: 927 508 027 ; http://www.g-spot-gastronomia.com/

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